Karōshi

(2019)

NOMEAÇÕES

Nomeado como melhor espectáculo de 2020 pela SPA – Sociedade Portuguesa de Autores

ONDE E QUANDO

Lisboa
Teatro Nacional D. Maria II, Sala Estúdio
14 a 24 de Novembro de 2019
(9 apresentações)

Uma figura, Bob, trabalha numa sala, hermeticamente concebida para que a sua tarefa não seja corrompida. Os colegas de Bob, mantêm também eles a sua tarefa – certificarem-se que este espaço artificial em que Bob trabalha, lhe pareça o mais natural possível. Para isso concretizam as mais distintas tarefas – manter um ambiente harmonioso, calmo, limpo, artificialmente pensado para que Bob não consiga prever nele nenhum tipo de distracção – apesar da sua “concentração extraordinária”. As motivações, o tratamento especial, fazem parte da engrenagem desta máquina, onde todos eles estão envolvidos, e da qual não saberiam sair, não fosse o acontecimento inesperado que lhes afigura neste dia. 

FICHA TÉCNICA/ARTÍSTICA

Criação: Teatro da Cidade 
com Bernardo Souto, Guilherme Gomes, João Reixa, Nídia Roque e Rita Cabaço  
Cenografia: Ângela Rocha 
Desenho de luz: Rui Seabra  

Produção: Teatro da Cidade 
Coprodução: TNDM II 
Apoio: GDA 
Parceria: residência Espaço Alkantara

FOLHA DE SALA

Foi numa viagem de autocarro que ouvimos a palavra pela primeira vez. Não num autocarro que nos leva à terra onde nascemos, ou a um lugar extraquotidiano. Foi num destes autocarros urbanos que atalham percursos, que fazem pontes entre tarefas, estes autocarros que ficam entre o lugar onde estamos e o lugar onde temos de estar. Os nossos olhos em volta, e a palavra adivinhando-se na gente. Karōshi é, desde os anos oitenta, uma epidemia identificada pela OMS. Significa, traduzido literalmente, “morrer por excesso de trabalho”. E nas franjas da palavra, outros conceitos: burnout, alienação, excesso, limite… Palavras-motor. Palavras-engrenagem.

Investigando um pouco, conhecemos os avisos: depoimentos de quem quer parar, de quem tem de parar, de quem não parou – ou, pelo menos, de quem não abrandou. As histórias de quem repensa o sentido de tudo isto. E uma renovada imagem do ser humano: isto é uma máquina. Uma máquina fortalecida pelo seu contexto, alimentada pelos seus pares e suas expectativas. Uma máquina exemplarmente mantida, talvez pela ignorância. Uma máquina, uma extraordinária máquina que, inocentemente, havemos de levar ao limite. 
Karōshi é o quinto espectáculo do Teatro da Cidade. Neste espectáculo, o conceito que lhe dá título serve de mote para pensarmos a relação que, enquanto sociedade, estabelecemos com o trabalho: pela fidelidade; pela dúvida; pelo erro. Este é um espectáculo sobre a vítima de karōshi e os seus prestáveis assassinos.

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